NUTRIÇÃO AULA 2
Filosofia das máquinas – otimismo ou
pessimismo?
Por alguma razão misteriosa, os
modernos deixaram de lado o moinho. E também o arado. Máquinas que modificaram
completamente a vida do homem fixado. O moinho, de água ou de vento, liberta os
homens de uma tarefa literalmente massante. O arado é o ponto máximo da
simbiose entre bovinos e humanos. Há notícia desde o Egito ou até antes, se
alguém quiser.
Na modernidade, autores como Smith e
Ricardo se impressionaram com o incremento produtivo das máquinas. O tear era a
febre do momento. Smith mostra como organizando as pessoas em torno de uma
máquina, seria possível aumentar o lucro e mobilizar a produção para um maior
bem comum: a fartura, o excedente. Smith era um entusiasta das máquinas. Por
acreditar na livre regulação do mercado, não se ocupou de problemas que vieram
com seus críticos, mais tarde. Seu objeto era lucro e produtividade.
Proudhon, em sua “Filosofia da
miséria” mostra como também era um futurista, embora não se furtasse às
críticas aos donos das máquinas. Ao mesmo tempo em que mostrava como a produção
acumulava para alguns, enquanto a maioria se via em apuros, com fome, sem casa,
sem roupa, sem dignidade, Pierre ilustrava com a mídia impressa sua devoção à
tecnologia. A imprenssa permitia que um escrito que, antes só alcançava um
vilarejo, chegar ao conhecimento de toda uma cidade. Ele calcula em 200 mil o
aumento do alcance do pensamento com a chegada desta máquina. Mas era um homem
de espírito. Ao mesmo tempo em que via nas máquinas a redenção do homem de
letras, alertava que os deputados só defendiam o povo até serem eleitos, e
depois, como um pião, passavam a girar só em torno de si mesmos.
Agora chegamos a um crítico ferrenho
das máquinas. Que rufem os tambores. Ele é o homem do momento. O mais falado, o
mais odiado, o mais amado, o grande Marx. Este não via nas máquinas nada além
do que usurpação. Um tanto radical, convenhamos. Mas enquanto estudantes nosso
propósito é entender o pensamento dos autores, não julgá-los. Marx levava de
arrasto uma multidão pois mostrava como o empresário, através da máquina,
ganhava uma montanha de dinheiro que não repartia. As máquinas deixavam gente
desempregada, faziam valorizar a mão-de-obra em um só sentido. Talvez se ele
tivesse analisado por outro prisma, não tivesse criticado tanto assim as
máquinas em “Filosofia da miséria”, e sim os homens que usavam as máquinas.
Como dizem os antigos, “um revólver não mata ninguém”. Pelo contrário, o que
antes podia se tornar uma agressão preventiva, por exemplo, uma facada, agora,
com o poder de fogo, pode se converter em interrogatório, já que o suspeito
encontra-se quase sempre rendido.
Bom, agora que passeamos pela
Inglaterra do século XVII, França do XVIII e Alemanha do XIX, podemos fazer uma
conversa sobre as máquinas na nutrição. Em duplas, conversem entre vocês sobre
o uso de máquinas nas mais diversas atividades envolvendo alimentos. No Brasil,
as máquinas contribuem para uma vida mais saudável, justa, livre, compassiva e
abundante? Justifique sua resposta com dois parágrafos.
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